Tragédias anunciadas

Como usuário de prédios público especificamente dado minha condição de jornalista em atividade permite-me a comentar e denunciar fatos de interesse coletivo e público dentro do direito da liberdade de expressão delegada ao povo que sou e dos profissionais de Imprensa livres das mordaças.

O incêndio na Boate Kiss em uma noitada de discoteca na cidade de Santa Maria, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, vitimou com morte 242 pessoas e feriu 116 outras. A imprudência e as más condições de segurança ocasionaram a tragédia que fora notícia mundo a fora.

Procedeu-se a uma investigação para a apuração das responsabilidades dos envolvidos, dentre eles os integrantes da banda, os donos da casa noturna e o Poder Público. Daí iniciou-se um debate efêmero no Brasil sobre a segurança em ambientes fechados com grande quantidade de pessoas. A responsabilidade da fiscalização dos locais também foi debatida e publicada na mídia no momento então. Houve manifestações nas imprensas nacional e mundial, que variaram de mensagens de solidariedade a críticas sobre as condições das boates no País e a omissão das autoridades.

O inquérito policial apontou muitos responsáveis pelo acidente, mas poucos foram denunciados pelo Ministério Público à Justiça. O inquérito policial-militar, por sua vez, foi condescendente com os bombeiros envolvidos no caso. Na Justiça tramitou um processo e começou a ouvir depoimentos como preparação para o julgamento, porém os sobreviventes e parentes dos mortos receavam que a impunidade fosse a tônica do evento criminoso. De fato, os servidores civis e militares, bem como as autoridades públicas, corriam pouco risco de sofrerem punições.

No auge da discursão, houve grandes Forças Tarefas para fechamento de boates, clubes, cinemas, salas de espetáculos e por ai a fora. Porém, os próprios responsáveis diretos por zelarem por este ordenamento legal, são os primeiros a violarem. Falo dos prédios públicos, e apresento os do Tribunal de Justiça do Estado do Pará e do Ministério Público, que não têm saídas de emergência.

Veja a suntuosa sede do TJE/PA, adaptada num prédio que fora considerado desnecessário e que deveria ser demolido, tanto é que a escola que ali funcionava teve desativação, pois o prédio apresentava riscos. Mas, erigiram a sede do Tribunal de Justiça, e não se lembraram de construírem as saídas de emergência para os seus próprios funcionários que ainda usam os porões do velho prédio, num verdadeiro labirinto com duas saídas íngremes e estreitas, e ali, não chegam os deficientes, já que não há rampa ou outro meio de acesso à suntuosidade. Esse prédio, conhecido como “Lauro Sodré”, também só possui uma entrada sobre escadas pela lateral, e outra nos fundos com acesso a elevadores, todas estreitas sem condições de receber uma caterva em fuga de um incêndio ou outro Sinistro. Duas outras portas que poderiam chamar de emergência não funciona a não ser que encontrem algum Policial Militar ali hospedado para abrir… Meu Deus!

No Fórum Cível localizado na Praça Felipe Patroni, somente uma entrada e saída, nada mais. Uma segunda porta a frente do prédio é para tão somente entrada de material, e a terceira nos fundo vive eternamente fechada, além de que não existem placas de sinalização. Não há condições de fuga adequada caso um sinistro, por exemplo, no terceiro andar daquele prédio.

Por sua vez, o prédio onde funciona o Fórum Criminal no largo de São João, esse pior ainda, uma minúscula entrada e saída única, num prédio labirinto com seus anexos em três andares e que Deus livre de um incêndio.

Na sede do Ministério Público não é diferente, uma saída estreitíssima pela lateral e outra nos mesmos moldes na frente com porta giratória em parede de vidro, ou seja, todos uma verdadeira caixa de fósforos.

É de se ressaltar, que nestes prédios, estão hospedadas várias guarnições do corpo de bombeiros, que simplesmente montam guarda de auditório ou porteiro, praticando vassalagem e subserviência, e não o seu dever fim, salvar vidas aquartelados em suas unidades de dever e direito, a serviço da população e não com desvio de função.

Bem que a Imprensa Hematófaga poderia explorar tal assunto agora, e não depois que o trágico se realize, e venham os salvadores da Pátria morta arrotar de providências serão tomadas.

A citação que se faz aqui é como exemplo, já que existem centenas de prédios em piores condições, públicos ou particulares, e é hora do Corpo de Bombeiro rotulada de Centro de Atividades Técnicas – CAT venha atuar com veemência, pois assim estará executando seu papel constitucional, e depois das tragédias não venha dizer o contrário ou ser acusado de omissão, ou ainda, alegar este Centro, de que desconheciam tal Tragédia Anunciada!

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