Sepultura nazista no Amapá revela projeto de colonização alemã em Laranjal do Jari

sepultura nazistaUm pequeno cemitério isolado que fica a mais de uma hora e meia de barco da sede do município de Laranjal do Jari, no extremo Sul do Amapá, guarda resquícios da história que relembra uma expedição da Alemanha Nazista na floresta amazônica na década de 1930. A cruz destacada com uma suástica tem quase três metros revela uma sepultura nazista que atrai até mesmo quem vê de longe, navegando pelo rio Jari, único acesso à área. Nela está escrito em alemão “Joseph Greiner morreu aqui de febre em 2 de janeiro de 1936 a serviço da pesquisa alemã”. Segundo historiadores, Greiner era integrante da comitiva alemã que por quase dois anos atuou na Amazônia.

sepultura nazistaO objetivo da Alemanha de Hitler era implantar uma colônia na América do Sul, a exemplo da Guiana Inglesa, Suriname (Holanda) e Guiana Francesa. O plano não continuou, mas ao longo de 17 meses, a pesquisa levantou informações sobre fauna, flora e a cultura indígena. Registros em imagens feitos à época mostram a relação com a tribo Aparai.

sepultura nazista“A França na época era arqui-inimiga da Alemanha, desde a Primeira Guerra Mundial. Tinha todo um rancor ainda pela França. Então possivelmente o interesse deles em chegar à Guiana era uma futura invasão no caso se eles entrassem em conflito”, contou Edivaldo Nunes, historiador da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Greiner morreu de uma febre não especificada durante a expedição. Ainda segundo estudos e um livro alemão sobre o assunto, ele era capataz da tropa e morava no Brasil antes de ser recrutado pelo governo alemão. O objetivo era que ele facilitasse a comunicação.

“Ele veio ainda adolescente pro Brasil, com 15 anos. Não se tem uma idade exata, mas ele tinha mais de 30 anos quando faleceu em janeiro de 1936. Ele era uma pessoa que não tinha família, não era casado, era solteiro, e não deixou filhos também”, completou Nunes.

O local onde ele foi enterrado fica próximo à cachoeira de Santo Antônio, que abriga a hidrelétrica de mesmo nome. Após o sepultamento no local, a área foi usada como cemitério por comunidades na região. A cruz resiste ao tempo e aos efeitos da natureza e permanece de pé.

Morador da região há mais de quatro décadas, o aposentado Raimundo Nonato Farias, de 75 anos, disse ter pouca informação sobre a atividade nazista na área. Ele tem a esposa, filha e neta enterradas no cemitério e não vê qualquer preocupação com o fato de um alemão estar sepultado. “A morte em todo canto ela ‘tá’, né? E onde ela chega, quando o ‘mestre’ lá em cima chama, feliz daquele que ainda vai para debaixo do chão, né? Então isso aí é uma coisa que a gente não pode ter preconceito, de maneira nenhuma”, completou Farias, que vive na vila de São José.

sepultura nazistaA “Expedição Jari”, como foi chamada, trouxe grande aparato da Alemanha para a atuação no sul do Amapá. A equipe formada por três pesquisadores, além de Greiner, trouxe um avião para a região. Após realizar alguns sobrevoos pela área, a aeronave de pequeno porte apresentou defeitos e não pode ser mais usada. Com isso, as equipes necessitaram ainda mais da ajuda dos indígenas. A febre fatal para Joseph Greiner foi só uma das várias doenças sepultura nazistaque atingiram aos membros da expedição, além de outras enfermidades como malária e difteria. O forte calor e as sucessivas chuvas também eram problemas. Com o possível plano de invasão em mente, a equipe retornou à Alemanha, mas o projeto Guiana nunca foi realizado, mesmo assim, a visitação levou crânios e informações de mais de 500 mamíferos, répteis, anfíbios e aves, além de registros em fotos e filmagens.

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