Reflexos na região amazônica

No atual contexto econômico que se configura no Brasil (com reflexos na região amazônica) são grandes os desafios para sustentar os níveis de crescimento verificados nos últimos anos. As políticas de desenvolvimento regional, concebidas em função dos incentivos fiscais, a implantação dos grandes projetos, assim como o impacto da crise fiscal-financeira do Estado brasileiro em diversas regiões, nos levam a pensar em uma estagnação. Entretanto, situações pontuais saltam aos olhos dos que acompanham mais de perto os sérios problemas enfrentados nos diversos segmentos da comunidade amazônida, em especial nos grandes conglomerados populacionais como a Região Metropolitana de Belém.

Ao fazer uma análise mais ampla dos gargalos registrados em áreas como segurança, saúde, economia e agropecuária me alio ao grupo que, apesar de manter acesa a chama da esperança em dias melhores, continua com o pé atrás diante de quadros desalentadores que levam à população grande desconfiança e incertezas.

O desencadeamento de fatos que escancaram a situação caótica na qual vive o sistema penitenciário brasileiro é um desses pontos. Ficou evidente a fragilidade da estrutura carcerária em diversos Estados do país nos quais, à semelhança de um rastilho de pólvora, pipocaram rebeliões que tiveram como estopim o massacre registrado em Manaus, que teve como saldo dezenas de mortos e, por tabela, a evasão de mais de duas centenas de apenados.

O Estado, impotente para conter e controlar a desconfortável e preocupante supremacia nas casas penais do crime organizado, se debate em tentativas de reagir para apagar focos de violência e afrontamento à justiça que fazem dos presídios barris de pólvora prestes a explodir.

Com uma população carcerária de mais de 600 mil presos e enfrentando o déficit de quase 250 mil vagas para abrigar este contingente, o Brasil acompanha a indicação do governo federal em investir na construção de mais complexos penitenciários. Há muita gente que reage a ações como esta, o que contribui para aumentar o descrédito no sistema.

Por outro lado, no setor agropecuário o clima de instabilidade e violência não é menor. No segundo semestre do ano passado, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, Carlos Fernandes Xavier, enfatizou que proprietários de fazendas localizadas em Curionópolis e Nova Ipixuna e que foram invadidas “estão atemorizados” diante da ação dos líderes dessas invasões, que agem como criminosos e não como trabalhadores sem terra em busca de espaço para produzir, segundo um observador.

Ou seja: este status quo é um retrato nada alentador de dias sombrios que podem iniciar a temida deflagração de uma convulsão social. Torçamos para isso não acontecer!

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