O que é Educomunicação?

educomunicação

Quando falamos em Educomunicação, estamos nos referindo a um campo de pesquisa, de reflexão e de intervenção social, cujos objetivos, conteúdos e metodologias são essencialmente diferentes tanto da área da Educação quanto da Comunicação. Em síntese, tem por meta a construção da cidadania, baseando-se no direito à expressão e à comunicação que cada sujeito possui.

O neologismo Educomunicação, que em princípio parece mera junção de Educação e Comunicação, na realidade, não apenas une as áreas, mas destaca de modo significativo um terceiro termo, a ação.

Historicamente, educação e comunicação, quando instituídas tiveram campos de atuação social independente e aparentemente neutra. À educação coube administrar a transmissão do saber e à comunicação difundir as informações, promover lazer popular e manter o sistema produtivo através da publicidade.

E foi a partir das contribuições teórico-prática de filósofos da educação e comunicação, junto aos avanços das conquistas tecnológicas, que grupos de especialistas ativamente e organizados iniciaram o processo de aproximação entre os dois campos.

Entre os filósofos da educação que contribuíram com o processo de aproximação foi Paulo Freire, como um dos pioneiros que refletiu sobre a inter-relação no cenário latino-americano, já que em “Extensão ou Comunicação?” defendeu um agir pedagógico libertador por meio de processos comunicacionais, ou seja, a comunicação já podia ser vista como componente do processo educativo, mas não devendo ser apenas parte do “messianismo tecnológico”.

educomunicaçãoEm relação à preocupação de não permitir que esse messianismo de fato aconteça é necessário o entendimento de que a educomunicação não “é sinônimo de ‘Tecnologias da Educação’ (TE), ou mesmo de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs).”, pois o importante “não é a ferramenta disponibilizada, mas o tipo de mediação que elas podem favorecer para ampliar os diálogos sociais e educativos”.
Educomunicação é um campo de relação de saberes e entre saberes. É um espaço de questionamentos, de busca de conhecimentos e construções de saberes. É também um espaço de ações e experiências que levam a saberes ou partem deles em direção a outros. Trata-se, por tanto, de um campo de ação política, entendida como o lugar de encontro e debate da diversidade de posturas, das diferenças e semelhanças, das aproximações e distanciamentos. Por excelência, uma área de transdiscursividade e, por isso, transdisciplinar, multidisciplinar e pluricultural.

Não se trata de fazer desse mais um espaço em que o senso comum predomine, como tem acontecido com tanta frequência, tanto nos meios acadêmicos como nos meios de comunicação social. Estamos vivendo um tempo em que “Eu acho que achei que tinha achado que alguém achou, ou …Ouvi falar que… ou pior ainda: … Então, é isso mesmo e ponto final!…”. Está cada vez mais presente na boca das pessoas, principalmente daquelas que, ao menos teoricamente, deveriam ter algo mais a dizer do que simplesmente repetir o que os outros dizem. Pré-conceitos e pré-julgamentos são ações, além de irresponsáveis, extremamente autoritárias.

O senso comum é importante somente na medida em que permite a cada um de nós buscar compreender os motivos e os interesses que estão fundamentando cada uma de suas afirmações. Mas é preciso ir além delas. É fundamental submetê-las a uma série de interrogações: quem disse isso ou aquilo? De onde esse quem está falando? Esse alguém fala em nome de um grupo? Isso que foi e é dito é especialmente endereçado a alguém? A quem, exatamente?… Frases aparentemente soltas no ar e largamente repetidas pela maioria das pessoas trazem embutida uma série de verdades que precisam ser questionadas, sob pena de transformar essas pessoas em meros papagaios que dizem coisas sem ter a menor ideia do que elas significam. Isso é ultrapassar o senso comum.
A educomunicação, do nosso ponto de vista, é, antes de tudo, uma proposta de organização social essencialmente diferente dessa em que estamos inseridos.

Essencialmente diferente porque o tipo de relações sociais a ser estabelecida nos grupos é, intencionalmente, horizontal. Ou seja, não há e nem pode haver alguém que manda frente a outros que obedecem, alguém que decide o que os outros devem cumprir. Nessa proposta de organização social não há e nem pode haver a figura do estrategista definindo, delimitando ou inventando ações para que outras pessoas avancem, recuam, envolvam e atuem de modo a atingirem os fins por ele previstos e determinados. Quem estabelece as estratégias são os participantes do grupo, tendo em vista os motivos que os levaram a se agruparem, assim como os objetivos que querem alcançar.

Se assim não for, inevitavelmente serão tratados e se comportarão como tarefeiros, cumpridores de ordens, discípulos do primeiro que se apresentar como mestre ou guru. Aliás, o que não falta em nosso tempo é gente propondo e abrindo igrejinhas por todo lado, gente prometendo grandes feitos desde que você… Ou seja: a máxima, que muitos de nós achamos que estaria ou gostaríamos que estivesse ultrapassada – faz o que eu mando e guarda o que você sabe – é tão presente e atual quanto: eu não sei de nada, eu apenas cumpro ordens…

O nosso ponto de vista é que o tipo de gestão que caracteriza a Educomunicação é a co-gestão. Apostamos na real possibilidade de que os grupos humanos caminhem no sentido de fazer da autonomia dos indivíduos o seu grande objetivo. Que, antes de tudo, as pessoas se constituam autoras de sua existência individual e co-autoras de nossa existência social.

educomunicaçãoEntendemos que fazer educomunicação ou realizar práticas educomunicativas, na medida em que isto quer dizer construir um novo discurso, é experimentar uma outra forma de convivência social. Diante desse cenário, criamos a coluna semanal Educomunicação no jornal Estado Online, com o objetivo de implementar um espaço educomunicativo democrático, aberto e participativo, impregnado da intencionalidade educativa e voltado para a implementação dos direitos humanos, especialmente o direito à comunicação.
Vitor Sousa Cunha Nery

9 COMENTÁRIOS

  1. Lendo o comentário desse José, desperta-me a curiosidade de saber de suas contribuições científica, com bons projetos, excelente artigos, livro publicados e uma referência na educacional que as academias pudessem se apropriar. Porque, torna-se muito fácil falar, crititicar, escreve por escrever, só que na edição o principal alicerce é ação, reflexão e ação. Se puderes enviar para esse evento os seus trabalhos na área educacional será bem vindo.

  2. Nesse sentido, para irmos para além das “aparências” é preciso humildade sobre o que se conhece para que se possa dialogar criticamente, de maneira respeitosa com os “outros”, sem ofender…

    Quanto ao pensamento-prática de Paulo Freire, tenho profundo respeito, e nem por isso preciso ser “rotulado” de socialista, comunista, enfim, de tudo que extremistas falam na superficialidade de suas afirmações odiosas.

    De fato, sou cristão católico. E o mote de minha ações é o Jesus histórico, que ia ao encontro do oprimido, do excluído, com o fim de lhe devolver sua dignidade… Esse, é o expoente praxiológico de minhas ações, mas, obviamente, ainda assim serei “rotulado” de muitos preconceitos mais…

    Ainda assim, cabe o respeito às diferenças.

    • Se for católico deverás saber que os comunismo é anticristão.

      Só para se ter uma ideia, Paulo Freire justifica o genocídio soviético. É bom deixar isso claro que para o comunista não importa o meio pelo qual ele atinge seu objetivo. Quando digo não importa, é não importa mesmo. Se for necessário ele não se intitula comunista, defende o capitalismo, atua dentro da igreja, etc. E na pior da hipóteses ele assassina milhares de pessoas, devasta a cultura ocidental (ver Marxismo Cultural), acaba com os valores morais e por aí vai.

  3. Outro excerto importante: “O senso comum é importante somente na medida em que permite a cada um de nós buscar compreender os motivos e os interesses que estão fundamentando cada uma de suas afirmações. Mas é preciso ir além delas. É fundamental submetê-las a uma série de interrogações: quem disse isso ou aquilo? De onde esse quem está falando? Esse alguém fala em nome de um grupo? Isso que foi e é dito é especialmente endereçado a alguém? A quem, exatamente?…”

  4. O artigo acima esta didático, bem elucidativo. E o excerto a seguir, aponta bem o que é a educomunicação: “Não se trata de fazer desse mais um espaço em que o senso comum predomine, como tem acontecido com tanta frequência, tanto nos meios acadêmicos como nos meios de comunicação social. Estamos vivendo um tempo em que “Eu acho que achei que tinha achado que alguém achou, ou …Ouvi falar que… ou pior ainda: … Então, é isso mesmo e ponto final!…”. Está cada vez mais presente na boca das pessoas, principalmente daquelas que, ao menos teoricamente, deveriam ter algo mais a dizer do que simplesmente repetir o que os outros dizem. Pré-conceitos e pré-julgamentos são ações, além de irresponsáveis, extremamente autoritárias.”

  5. É lamentável quando um de deseducado faz um comentario desse, é sinal que foi a escola e não conseguiu aprender e nem conhece a diversidade do Brasil.

    • Meu amigo eu digo o que se vê. Nossos alunos sempre ficam nos últimos lugares nas avaliações internacionais, nossas escolas são escolas do crime, prostituição, tráfico de drogas, desrespeito, bagunça, doutrinação comunista rasteira e de como ser um falso intelectual. Não te culpo por isso, pois é difícil resistir a todo o lixo que escutamos durante 20 anos na escola/universidade.

  6. Paulo Freire contribuiu muito para acabar de vez com a educação no Brasil. Teremos um grande trabalho para recuperar o que foi perdido. O sistema educacional não ensina ninguém apenas acabará com a ordem.

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