MPF realiza missão emergencial em busca de respostas sobre chacina em Redenção

Uma missão emergencial da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal (MPF), foi iniciada no município de Redenção, onde ocorreu a chacina em que dez pessoas foram mortas a tiros por policiais militares e civis no último dia 24. A região está localizada no sudeste do Pará.

A chacina está cercada de duvidas a serem sanadas, e por isso a PFDC apresentou indagações, as quais acredita haver necessidade de ser respondidas durantes as investigações. A seguir, os questionamentos apresentados pela PFDC sobre as dez mortes.

Por que a Secretaria Estadual de Segurança Pública endossou tão prontamente a versão de que os policiais foram recebidos a tiros, por ocasião do cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão na fazenda Santa Lúcia, município de Pau d’Arco, e a morte das dez pessoas foi resultado de reação legítima?

Considerando que a ação da polícia deve ser orientada no sentido de assegurar o cumprimento da ordem com o menor dano possível, como foi o planejamento para a execução dos mandados? Assinale-se, quanto a esse ponto, que o delegado Valdivino Miranda da Silva Júnior, da Delegacia de Conflitos Agrários, ao representar por prisões preventivas e temporárias e por busca e apreensão, informou que havia pessoas portando armas na área.

Como explicar o fato de que a polícia, sabendo da circunstância de que há alvos armados, ingressa em área de difícil acesso, pouca visibilidade e extensão de aproximadamente 2km, expondo-se a ataque imprevisto e inesperado?

Em tais condições, de ampla vantagem para os ocupantes que estão escondidos na área, como justificar a versão da troca de tiros, em que nenhum policial é ferido e 10 pessoas são mortas?

Por que integrantes da empresa que fornecia segurança privada à fazenda Santa Lúcia acompanharam a equipe policial que foi em busca das pessoas a serem presas? A empresa de segurança Elmo está em situação regular? Quem são seus sócios controladores?

Por que os corpos foram removidos, adulterando a cena dos fatos? Havia dúvida sobre a morte das dez pessoas? Então, o que explica o longo período transcorrido (quase três horas) desde os disparos até a chegada ao hospital Iraci, em Redenção, e a forma como os “feridos” foram transportados, empilhados na caçamba de caminhonetes?

Foram localizados projéteis na área e devidamente periciados?

Considerando que há sobreviventes que testemunham a tortura e a execução, a PFDC quer acreditar que a preservação de sua integridade seja de interesse geral.

Além da procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, a missão emergencial que esteve na região de Pau d’Arco, em Redenção (PA), contou com a participação do procurador da República na localidade, Igor Spíndola, do presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Darci Frigo e do procurador-geral de Justiça do Estado do Pará, Gilberto Martins, além de outras instituições locais.

(Com informações do MPF)

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