Kim Jong-un e Donald Trump se reúnem em encontro histórico em Singapura

O mais esperado encontro entre dois chefes de estado ocorreu ás 09:05 h de terça-feria (22:05 h de segundo hora de Brasília) em um hotel de luxo acompanhado por milhões de pessoas em todo mundo. King Jong-um e Donald Trump.

A comitiva dos Estados Unidos cruzou os portões do Capella Hotel às 21h13 (de Brasília, 8h13 hora local). Minutos depois, Kim Jong-un chegou ao hotel.

Apesar da espetacular aproximação diplomática dos últimos meses, persistem muitas dúvidas sobre a cúpula entre os dois dirigentes. Trump, que tem pouco tempo na Casa Branca, vive um dos momentos mais importantes de sua Presidência no cenário internacional, onde tem desagradado muitos líderes, inclusive alguns dos aliados dos Estados Unidos.

Em uma série de tuítes postados horas antes do evento em Cingapura, Trump indicou que os preparativos do encontro “iam bem”. “Em breve todos saberemos se pode haver ou não um acordo real, diferentemente dos do passado”, tuitou, antes de atacar em outra mensagem os “haters e perdedores” que consideram uma concessão arriscada a Kim, com quem o presidente americano trocou ameaças e insultos durante meses.

Kim Jong-un, aparentou desenvoltura diante das câmeras durante seu encontro com o premiê cingapuriano. Na noite de segunda-feira, o líder norte-coreano, que chefia um dos países mais fechados do mundo, desfrutou de um passeio em Cingapura e visitou, visivelmente encantando, os locais turísticos mais emblemáticos da cidade.

O arsenal nuclear norte-coreano, que provocou uma série de sanções da ONU ao longo dos últimos anos, será a questão central das conversações. O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, que se reuniu duas vezes com Kim Jong-un em pouco tempo, assegurou na segunda que as conversas entre Washington e Pyongyang haviam avançado rapidamente nos últimos encontros e se disse “muito otimista sobre as possibilidades de sucesso”.

Pompeo afirmou que os Estados Unidos estavam dispostos a aportar à Coreia do Norte “garantias de segurança únicas, diferentes” das propostas feitas até agora, em troca de uma desnuclearização “completa, comprovável e irreversível”.

A Coreia do Norte, que multiplicou desde 2006 os testes nucleares e balísticos, se declarou favorável à desnuclearização, embora nunca tenha entrado em detalhes sobre a forma de realizá-la.

Trump, que costuma se vangloriar de sua capacidade de negociação e de seu instinto, assegura que saberá “desde o primeiro minuto” de seu encontro com o líder norte-coreano se ele estará disposto a avançar.

A incógnita agora é saber se, apesar dos preparativos caóticos e dos sinais às vezes contraditórios enviados pelo governo Trump, o atípico presidente americano conseguirá o que nenhum de seus antecessores conseguiu.

Analistas e historiadores acreditam haver uma possibilidade, mas lembram que o regime de Pyongyang tem um histórico de promessas descumpridas. Em 1994 e em 2005 foram fechados acordos nunca aplicados.

Provavelmente Trump se vangloriará seja qual for o resultado da cúpula, mas a desnuclearização da península coreana é um processo que vai levar anos”, avalia Kelsey Davenport, da Arms Control Association. A “verdadeira prova” será “a adoção ou não pela Coreia do Norte de medidas concretas para reduzir a ameaça que representam suas armas nucleares”.

O chefe da diplomacia americana garante, no entanto, que a situação é totalmente  diferente desta vez e o encontro dará frutos. “Só há dois homens que podem tomar decisões de tamanha importância. Estes dois homens estarão sentados na mesma sala”, afirmou Pompeo na véspera da cúpula.

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