Educomunicação e formação de professores

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A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 (LDBEN) abriu espaços à introdução da educação para a comunicação nos currículos. Nos Parâmetros Curriculares para o Ensino Fundamental, tornou-se evidente a necessidade de uma aproximação ao universo da comunicação. Da mesma forma, a reforma do Ensino Médio, consubstanciada nas novas diretrizes, estabelece que o conteúdo dos currículos considere, também, a presença das tecnologias e dos meios de comunicação na sociedade e na educação.

Educomunicar é um processo dinâmico, e ainda em construção, que exige o uso adequado dos recursos da informação nas práticas educacionais. Nas ações educativas, tais recursos, principalmente os meios de comunicação de massa precisam, acima de tudo, favorecer o desenvolvimento do espírito crítico, necessário a um diálogo produtivo e politicamente emancipado, que permita ampliar a capacidade de expressão dos alunos.

As áreas de intervenção no campo da Educomunicação são as pesquisas e as práticas. As pesquisas são feitas por meio de investigações que problematizam a educação e a comunicação; e as práticas são realizadas pela educação para a comunicação, pelo planejamento e pela gestão da comunicação.

educomunicaçãoO filósofo espano-colombiano, Jesús Martín-Barbero, criou o conceito de ecossistemas comunicativos, que abrange desde a relação básica com as tecnologias que permitem a navegação pelas grandes avenidas da Internet e produzem de sensibilidades novas, principalmente entre a geração jovem, até a vivência de uma “dinâmica da comunicação”.

A dinâmica da comunicação ela se concretiza com o surgimento de um ambiente educacional difuso e descentrado, no qual estamos imersos. Um ambiente de informação e de conhecimentos múltiplos, não-centrado em relação ao sistema educativo que ainda nos rege e que tem muito claros seus dois centros: a escola e o livro. As sociedades centralizaram sempre o saber, porque o saber foi sempre fonte de poder, desde os sacerdotes egípcios aos monges medievais ou, atualmente, aos assessores dos políticos. Dos mosteiros medievais às escolas de hoje, o saber conservou esse duplo caráter de ser, ao mesmo tempo, centralizado e personificado em figuras sociais determinadas.

educomunicaçãoA Educomunicação, sob a ótica da descentração, possibilita que vozes antes silenciadas tenham o direito à expressão de suas práticas, saberes e fazeres, ao mesmo tempo em que possibilita que o cotidiano escolar possa ser visibilizado. Assim, as práticas de ensino, o currículo e as de aprendizagem, deslocam-se do universo restrito das salas de aula e pátios das escolas para as câmeras de vídeo, máquinas fotográficas, para o rádio e para o jornal, revestindo-se de materialização, criticidade e permanência. As vozes, então, ecoam e repercutem em vários contextos, incluindo até aqueles que antes não a possuíam.

educomunicaçãoA formação de professores voltada à Educomunicação concretiza a co-responsabilidade entre professores e alcança a comunidade, a sociedade ou até mesmo as ruas. Um exemplo para isso foram as manifestações, fenômeno político-massivo e desterritorializado vivido pelos brasileiros, que assistimos de junho a agosto de 2013. O prazer da aprendizagem e da ensinagem dispensa acordos anteriormente firmados entre os sujeitos da práxis porque se dá por propagação, por fluxos contínuos que se conectam e constituem linhas que propiciam novas e fecundas conexões.

No processo formativo, tanto dos professores quanto dos alunos, não deve haver separação entre razão e emoção, mas desejos que acionam, atravessam e mobilizam o corpo (físico e social), potencializando a vontade de aprender e de ensinar, porém, sob novas compreensões de ensino e de aprendizagem.

Temos observado que a criação de contextos de formação continuada, pode ser entendida e efetivada sob dois aspectos. O primeiro, sob a forma de cursos, oficinas, seminários, etc. Para este, o contexto de realização pressupõe preparação prévia, organização, estruturação, local adequado, convites a especialistas no assunto. Há um tempo cronológico previsto para início e fim.

O segundo, é aquela formação que tem como base o ambiente natural da escola, onde os professores e alunos estão inseridos, lócus das práticas, dos discursos, das tensões e das soluções. Esta também requer preparação, haja vista a temática geradora desses encontros possa ser tanto um projeto em andamento que envolva metodologias de ensino e ou de aprendizagem específicas, a prática docente, a gestão, ou algum tema transversal que atravessa os currículos, quanto aspectos das políticas educacionais e suas implicações no cotidiano da escola.

Entendemos que esse processo formativo pode ser (auto)orientado, isto é, protagonizado pela própria comunidade escolar, sem a colaboração de atores externos. Mas, também, pode ser uma formação compartilhada com outros profissionais da educação como, por exemplo, docentes e pesquisadores de universidades. O que diferencia ambos os processos formativos é a problematização do que é praticado nesse território educativo. Aqui, quem lidera as reflexões são os que compartilham saberes, fazeres, práticas e dificuldades, imersos em um coletivo. O protagonismo pertence àqueles que fazem a escola ‘ser o que é’ no que se refere à profissionalidade e ao trabalho docente.

De onde se deve partir ao projetar uma experiência de formação de professores?

Entendemos que a partir do que já sabem, dos seus “saberes fazeres”, aliado ao que ainda desconhecem. Contudo sem esquecer que existem políticas de educação, local e global, educomunicaçãoque entrecruzam, orientam e não raras vezes impõem modelos, concepções e determinadas práticas homogeneizantes a serem seguidas por todas as escolas e, portanto, por todos os professores. Entender as inquietações dos professores demonstrando sensibilidade e promovendo reflexões acerca de melhores maneiras de contornar as dificuldades do caminhar profissional deve ser o primeiro passo para o estabelecimento do diálogo e do desejo de se envolver em novas experiências de formação.

Portanto, uma adequada formação de professores para o século XXI demanda sua transformação em gestores de processos comunicativos, onde o diálogo se converte em suporte para a articulação pedagógica, onde a adoção de novas tecnologias exige que os educadores aprendam a dialogar com seus alunos para que consigam mediar uma troca mais aprofundada de argumentos e procedimentos voltados ao desenvolvimento de atitudes críticas.

Espero que tenham gostado da nossa coluna semanal Educomunicação no jornal Estado Online, um espaço educomunicativo democrático, aberto e participativo. Se você gostou comente, curta, compartilhe e deixe seu comentário. Um grande abraço a todos e até a próxima semana.

Prof. Me.Vitor Sousa Cunha Nery

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