Senhores da Fome: Empresários são presos por desviar dinheiro da merenda escolar

Três empresários do ramo de alimentação foram presos nesta terça-feira (31) durante a operação “Senhores da Fome” da Polícia Federal (PF), que investiga um suposto desvio de dinheiro destinado à compra de merenda escolar no Amapá. Foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e até esta publicação, um outro empresário suspeito estava foragido.

merenda escolar

A ex-secretária de Educação do estado Conceição Corrêa Medeiros foi alvo de mandado de condução coercitiva, quando o suspeito é obrigado a ir depor à polícia. No total também foram cumpridos sete mandados de condução coercitiva e 18 de busca e apreensão. Os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de peculato, associação criminosa e falsidade ideológica.

A PF informou que a operação apura a suposta atuação de empresários, diretores de escolas e servidores da Secretaria de Educação do Amapá (Seed) no esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 2 milhões dos cofres públicos. A verba deveria ter sido aplicada na compra de merenda escolar para diversos municípios.

O delegado Igor Souza, da Polícia Federal, ressaltou que no dia 29 de dezembro de 2015, a Seed realizou o pagamento de R$ 1,5 milhão para a empresa Agrocop, que fazia o serviço de entrega de produtos do gênero alimentício para a merenda de pelo menos, 100 escolas públicas no estado, mas os produtos não foram entregues, segundo a investigação.

Segundo a empresa Agrocop, no início de 2016, vários diretores assinaram o termo de recebimento dos alimentos sem que tivessem sido entregues às instituições de ensino. Parte das falsas entregas teriam sido feitas no período de férias escolares.

“O contrato foi firmado entre a Seed e a empresa no final de 2015, com valor em torno de R$ 13 milhões. As investigações iniciaram em 2016, com casos registrados desde 2015 e em dezembro houve o pagamento de R$ 1,5 milhão de recursos de merenda para a empresa, mas sem comprovação nenhuma do serviço. A suspeita é que as entregas foram feitas em recesso escolar, férias”, destacou.

O promotor Afonso Guimarães, do Ministério Público do Estado, que realizou a denúncia, ressaltou que outras empresas podem estar envolvidas no esquema. “As investigações apontam que houve montagem de sistema simulava que os alimentos eram entregues e todos os presos são envolvidos na empresa”, reforçou.

Em entrevista coletiva, o procurador-geral em exercício do estado, Antônio Clésio, ressaltou que falhas foram detectadas no fornecimento de merenda nas escolas e por isso, um ofício foi emitido para que a Seed fizesse o bloqueio imediato de repasses.

“Como consta em ofício expedido em maio de 2016, determimanos a suspensão do contrato, para pagamento, e o bloqueio imediato do repasse. Com isso, foi aberta uma auditoria para verificar cada caso”, disse.

A secretária Goreth Souza informou que a Seed trabalha para que os repasses dos valores sejam feitos com transparência e que tomaram conhecimento das investigações feitas pela Polícia Federal, ainda em 2016 e que um sistema está sendo adotado nas escolas para que as informações de recursos sejam acompanhados de forma mais transparente.

“O governo do estado vem trabalhando insistentemente para isso, para que os repasses sejam feitos com transparência e acompanhados pelos órgãos de controle. A Seed acompanha o recurso referente a merenda por meio de um sistema online, onde os diretores e gestores escolares informam onde cada valor está sendo investido”, informou.

Em nota publicada na rede social Facebook, a ex-secretária Conceição Medeiros informou que prestou esclarecimentos sobre as investigações. “Tenho tranquilidade da lisura com a qual exerci o cargo. Sempre agi com muita ética, profissionalismo, transparência e responsabilidade social”, destacou.

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