Cartão postal negativo

A capital paraense, considerada por muitos como a “Metrópole da Amazônia”, há tempos padece com um crônico problema: a agressão ao seu patrimônio histórico. É triste vermos monumentos e áreas públicas abandonadas e transformadas em cartões postais negativos, que não passam despercebidos principalmente de visitantes que chegam à capital paraense. É fato que algumas áreas passam por recuperação, como no caso da Praça da República, cuja revitalização já ultrapassa o período previsto para conclusão das obras. No ano passado, quando Belém comemorou 400 anos, foi divulgado (e começou) um cronograma de recuperação de cerca de 30 logradouros públicos, entre os quais a badalada Praça da República.

Orçada em mais de quatro milhões de reais, a obra brindará a população belenense com 58.000 metros quadrados de área reorganizada e reestruturada, nos quais mais de uma dezena de monumentos fazem daquele arborizado espaço localizado na confluência de bairros nobres um ponto de encontro agradável e aconchegante.

Contudo, é necessário ressaltarmos alguns pontos que, com a ajuda da tecnologia moderna, foram alvo de críticas nas redes sociais, principalmente. Um deles é o drama vivido pelos funcionários do emblemático e decantado em prosa e versos Bar do Parque. Em vista do isolamento causado ao quiosque pelo tapume erguido em virtude da obra, os empregados daquele ponto turístico ficaram impedidos de trabalhar. Com isso, sem renda e sem perspectiva de conseguir saldar seus compromissos, o proprietário do bar deixou de pagá-los como regiamente o fazia há décadas. Para minimizar suas dificuldades, alguns funcionários de reuniram e montaram uma barraquinha para venda de café, cigarros, etc. Essa situação contribuiu para, ainda mais, piorar a imagem da praça que foi aberta em 1889 e nasceu após a construção do monumento que faz alusão à proclamação da República.

Por outro lado, há logradouros públicos como a Praça Princesa Isabel, no bairro da Cremação, que (embora tenha sido apregoada a sua revitalização) até hoje se encontram abandonados e à mercê de vândalos, desocupados e marginais que a transformam em autêntico pardieiro. O “péssimo estado de conservação” da Praça Princesa Isabel, que um dia já foi conhecido como um ponto turístico de destaque e que, atualmente, leva poucos transeuntes a se arriscarem a passar no local à noite. Muitos comerciantes, assustados, desistiram do lugar e fecharam as portas de seus estabelecimentos, é a reclamação consensual de observadores.

No bairro de São Brás, onde funciona o terminal rodoviário de Belém, a Praça Floriano Peixoto é outro retrato de destruição do patrimônio público. O espaço faz parte do complexo arquitetônico do Mercado de São Brás. Em sua forma original, o monumento possuía três figuras. Em 2012, uma das estátuas foi retirada (após ser danificada) para reparos no Museu de Arte de Belém. Posteriormente, outra estátua também sumiu. Lixo e água parada são uma constante ali. A Prefeitura Municipal de Belém garante que um projeto foi elaborado para recuperar o mercado de São Brás. Vamos aguardar para ver se esta inquietante imagem negativa desaparece.

1 COMENTÁRIO

  1. É simplesmente revoltante ver o descaso do poder público quando se trata do patrimônio histórico de nossa cidade. Prédios, monumentos, praças e até estátuas depredados, abandonados e pinchados, isso mostram o desinteresse dos nossos governantes em não valorizar nossa história.
    Vândalos vagabundos se prevalecem desse descaso para agredirem de forma impiedosa nosso patrimônio. O que precisamos é de Politicas públicas para atuarem diretamente no interesse de nossa cidade quando o assunto é preservar o patrimônio histórico de nossa capital, punindo com veemência todo aquele que além de não ajudarem a cuidar e preservar ainda colaboram para a destruição e a degradação dos mesmos.
    Que possamos usar os bons exemplos que o Prefeito João Dória vem fazendo frente a Prefeitura de São Paulo… Mudando a cara da cidade pra melhor!

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