Câncer, o mal que desafia a ciência

O imperador de todos os males: assim se chama um dos mais abrangentes livros já escritos a respeito do câncer, e não há exagero na escolha desse título. De fato, o câncer é o mal maior na área da medicina, e não foi por falta de esforço dos pesquisadores. O problema é que não se trata de uma única doença, como a Aids ou a tuberculose, mas de uma grande família de doenças que acometem várias partes do corpo, diferentes entre si, cada uma com suas características e particularidades. Em comum têm o fato de que as células crescem de forma anormal e incontrolável.

O livro escrito pelo oncologista indiano Siddhartha Mukherjee, hoje professor da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, merece ser lembrado. Com o subtítulo Uma biografia do câncer e publicada no Brasil pela Companhia das Letras, a obra ganhou vários prêmios, entre os quais o Pulitzer em 2011, pela originalidade da abordagem.

O autor conta, por exemplo, a história do câncer, que teria sido citado pela primeira vez há 4.500 anos, pelo sacerdote egípcio Imhotep, que descreveu 48 casos médicos, entre os quais um típico tumor de mama. Mas, segundo Mukherjee, alguns vestígios de ancestrais pré-históricos já apresentavam sinais de câncer, o que permite afirmar que o mal é tão antigo quanto o homem. O termo “câncer” teria sido criado pelo médico grego Hipócrates, que nasceu no ano 460 a.C. Em grego, significa caranguejo, imagem escolhida por Hipócrates por causa da semelhança entre a forma como as veias se espalham ao redor de um tumor na mama e as garras do crustáceo.

Em relação aos tratamentos, Mukherjee diz que os estudos dos genes que causam o câncer ainda estão no início, ou “na infância”, e ainda não foram encontradas terapias capazes de matar as células cancerígenas sem prejudicar as áreas saudáveis do corpo. O médico e escritor explicou, em entrevista à Veja, quando o livro dele foi lançado no Brasil: “Para muitos tipos de câncer, provavelmente não será possível encontrar a cura. Mas, para diversos outros tipos, será possível encontrar meios de tratamento que tornem a doença um mal crônico e prolonguem a vida do paciente por muitos anos”.

Por enquanto, recorre-se basicamente à quimioterapia, à radioterapia e à cirurgia, mas houve avanços importantes nos últimos anos. Para a leucemia, por exemplo, já foram descobertas outras formas eficazes de tratamento.

No início deste ano, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica classificou a imunoterapia como o avanço mais significativo registrado em 2016 na luta contra o câncer, com aplicações em tumores na cabeça, pescoço, pulmão, bexiga e mama e no linfoma de Hodgkin, que atinge o sistema linfático. Alguns pesquisadores afirmam que a imunoterapia é uma verdadeira revolução, pois estimula o próprio organismo a identificar as células cancerosas e, com isso, permite o uso de medicamentos que modificam a resposta imunológica.

Outra técnica desenvolvida nos últimos anos são as vacinas terapêuticas que alertam o sistema imunológico para a presença do câncer e estimulam as defesas do organismo a combatê-lo. A primeira vacina com essas características foi aprovada nos Estados Unidos em 2010, para uso em alguns tipos de câncer de próstata.

O Dia Nacional de Combate ao Câncer foi criado em pelo Ministério da Saúde em 1988 para divulgar informações médicas e conscientizar os brasileiros da necessidade de cuidados preventivos. De fato, enquanto não há indícios de uma solução definitiva capaz de eliminar de vez o câncer, o que resta é a prevenção.

A maioria dos oncologistas diz que os principais fatores de risco são o tabagismo, a bebida alcoólica em excesso, o sedentarismo, a alimentação inadequada e a obesidade, além de ocorrências ambientais como a poluição e a exposição a substâncias cancerígenas, entre as quais o amianto e a radiação nuclear. Pesquisas também indicam uma propensão hereditária, o que explica as perguntas que os médicos sempre fazem a respeito do histórico de doenças na família.

Vários estudos sugerem que muitos casos de câncer são evitáveis. Por isso, antes que os avanços da medicina encontrem uma maneira definitiva de conter esse mal, o que nos resta é fortalecer o corpo e não dar espaço para que o “imperador” nos atinja. Ou seja, não fumar, não exagerar na bebida, praticar exercícios físicos regularmente, cuidar da alimentação, controlar o peso e fazer check-ups médicos regulares.

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