Assédio em ônibus de Belém deixa acusado livre da cadeia

No início da noite da última sexta, dia 8 de junho, a passageira Maria dos Remédios Rodrigues dos Santos, de 37 anos, sofreu um assédio e nunca imaginou que fosse passar. Após um dia de trabalho ela entrou em um ônibus expresso Tenoné-Presidente Vargas que ficou lotado como sempre.

Disse ela que se posicionou bem no meio do corredor, onde ficaria mais confortável pra ela. “O trajeto seguia normalmente, até o momento em que um rapaz de mochila subiu já próximo de chegarmos na Av. Almirante Barroso”, conta ela.

“Eu senti ele se mexer, passávamos a Trav. Mauriti. A princípio, eu pensei que poderia ser o sacudir do ônibus ou que fosse um engano meu, foi então que eu senti algo quente e gritei. Fiz um escândalo dentro do ônibus e vi a calça dele escura, suja e o órgão sexual dele enrijecido”.

A confusão chamou a atenção de um policial à paisana, que estava sentado no fim do coletivo. Ela conta que, apesar de ele não ter presenciado o acontecido, conseguiu sugerir que o homem da mochila e ela fossem à delegacia prestar esclarecimentos.

Chegando na delegacia, o procedimento policial se tornou um verdadeiro pesadelo. Ela diz que “o delegado, que estava de plantão naquele dia, se recusou a registrar o boletim ‘por falta de provas”. Saí de lá me sentindo um lixo. Além de me sentir desamparada pela justiça, nenhuma mulher que testemunhou o ato quis me ajudar”, desabafa.

“O delegado Ronaldo Hélio, que estava no plantão da seccional Marambaia, tomou as medidas necessárias para verificar na roupa do suspeito a existência de líquido espermático, mas não havia qualquer vestígio que confirmasse a versão apresentada pela vítima e que desse sustentação à acusação e à autuação do acusado pelo crime de assédio sexual. Por isso, ele não foi submetido ao procedimento”.

E acrescentou que, nos casos em que a vítima sabe que passou por uma situação semelhante e não tem “provas”, é recomendado apresentar testemunhas. Nesse caso nunca existira assédio a não ser que o acusado ejacule diretamente na vítima. Muitos diriam que se trata simplesmente de machismo.

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